217 capítulos
Medium 9788522475063

9 - Comunicação, iniciativa privada

DUARTE, Jorge (org.) Grupo Gen PDF

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Comunicação, iniciativa privada e interesse público

Wilson da Costa Bueno

Organizações, entidades e a própria mídia continuam a insistir, equivocada-

mente, na existência de fronteiras nitidamente demarcadas entre os interesses públicos e privados. Com isso, tentam justificar ações e posturas empresariais, cujo objetivo maior é legitimar a adoção de uma ética bastante particular. Na prática, tal empenho está associado à tese corrente, aceita sem maiores restrições, de que fundamental é garantir a sustentabilidade dos negócios.

Ainda que tal procedimento continue encontrando eco em alguns espaços

(fóruns empresariais, veículos e editorias de negócios), ele não faz sentido numa sociedade globalizada, cada vez mais sensível a decisões de alcance aparentemente localizado. Exemplos que se multiplicam em borbotões estão a indicar que o “efeito borboleta”, imaginado por Eduard Lorenz, efetivamente funciona.1 A disseminação de determinadas informações, acelerada brutalmente pelas novas tecnologias, e derivadas de um tênue e longínquo “bater de asas” empresariais, tem o poder de provocar verdadeiros “tufões” que impactam a sociedade (o mun  Trata-se de um processo e uma expressão cunhados por Eduard Norton Lorenz, um pesquisador que trabalhava, no final da década de 50, no Departamento de Meteorologia do Boston Tech, hoje

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Medium 9788522475063

13 - Caso Radiobrás: o compromisso com a verdade no jornalismo de uma empresa pública

DUARTE, Jorge (org.) Grupo Gen PDF

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Caso Radiobrás: o compromisso com a verdade no jornalismo de uma empresa pública

Eugênio Bucci

A

tradição é perversa: instituições públicas que operam a comunicação social, sejam elas empresas estatais, fundações ou departamentos ligados diretamente ao

Governo, vêm atuando como pequenas máquinas de propaganda a serviço das autoridades do Poder Executivo. Criadas ao longo do século 20, principalmente a partir dos anos 50, essas instituições pouco ou nada tiveram de compromisso com o direito à informação do cidadão.1 Em lugar de informar, dedicam-se a tentar formar a opinião pública segundo os moldes que interessam ao Governo da temporada.

Claro que existem exceções. O quadro geral, no entanto, tomado aqui como quadro geral e não como generalização, é desalentador: as instituições públicas que se dedicam à comunicação social acabam se reduzindo, no todo ou em parte,

à condição de máquina acessória da propaganda do governo.

Como pano de fundo, subsiste a tudo isso uma cultura política que não pode deixar de ser pelo menos mencionada. Mesmo entre os jornalistas, se aceita essa brutal distorção da comunicação gerada por instituições públicas como se ela fosse um dado da natureza. É quase com resignação que se comenta, em rodas de jornalistas de vários de nossos países: “Ah, eles estão aí para passar a versão do

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Medium 9788521619017

Capítulo IX RACIOCÍNIO: PRIMEIRA FIGURA SILOGÍSTICA

MASIP, Vicente Grupo Gen PDF

Capítulo IX

RACIOCÍNIO: PRIMEIRA FIGURA

SILOGÍSTICA

Um raciocínio é uma fórmula lógica analítico-dedutiva, isto é, um processo mental que parte de uma afirmação universal, considerada verdadeira a priori, até concluir.

Existem três tipos de raciocínios analíticos: silogismo, entimema e sorites.

9.1. Silogismo

Um silogismo é um raciocínio completo, explícito, desdobrado, composto de três juízos, dois dos quais são premissas e o terceiro, conclusão:

• Todos os pernambucanos são brasileiros.

• João é pernambucano.

• João é brasileiro.

9.1.1. Juízos que compõem o silogismo

Observemos os juízos que compõem o exemplo que acabamos de propor:

• Todos os pernambucanos são brasileiros. – Juízo analítico

(a priori), afirmativo, universal, categórico, assertivo

• João é pernambucano. – Juízo sintético (a posteriori), afirmativo, singular, categórico, assertivo

• João é brasileiro. – Juízo sintético (a posteriori), afirmativo, singular, categórico, assertivo

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Medium 9788584290307

Chapter 3 - Preparing a scientific abstract

Rafaela Fetzner Drey; Isabel Cristina Tedesco Selistre; Tânia Aiub Grupo A PDF

chapter 3

Preparing a scientific abstract

Preparando um resumo científico

Neste capítulo, apresentaremos um gênero textual acadêmico: o resumo científico – ou abstract, em língua inglesa. O abstract resume as principais informações de um trabalho científico, geralmente um artigo resultante de uma pesquisa ou um trabalho a ser apresentado em algum evento científico.

Assim, aprenderemos uma série de aspectos a respeito da produção de abstract em língua inglesa.

Objetivos de aprendizagem s Definir abstract. s Identificar as semelhanças e as diferenças entre um resumo comum e um resumo científico-acadêmico (abstract). s Listar os elementos necessários para produzir um bom abstract. s Reconhecer as situações de produção e de circulação social dos textos pertencentes ao gênero.

As funções social e comunicacional do abstract

O abstract, ou “abstrato”, em sua tradução mais literal, compreende um resumo,

“[…] conciso, coerente e objetivo dos pontos principais (objetivo, objeto, base teórica, metodologia [material e métodos], análise, resultados e conclusões) de um artigo científico, dissertação, tese […]” (COSTA, 2009, p. 29). O autor Sérgio

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Medium 9788565848954

Capítulo 7 - A igualdade

José Morais Grupo A PDF

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A igualdade

Somos todos desiguais. Seja no padrão de nossas capacidades mentais e físicas, seja nas impressões digitais. Ainda bem: se cada um se visse nos outros como num espelho, ou fugia ou quebrava o espelho. Somos di­ver­sos e a diversidade aproxima-nos.

Por que pretendemos então ser iguais num regime democrático? Iguais em que, se não o somos física e mentalmente? Na teoria, concordamos que deve­ríamos sê-lo em direitos políticos e cívicos. Mas de que serve reconhecer um direito se não existem as condições que permitem exercê-lo? Os direitos, tal como os indivíduos, são interdependentes. O direito de votar não é inde­ pendente do direito de ser informado correta e plenamente; o direito à alfabetização não é independente de um enorme feixe de direitos, incluindo os de alimentação, de habitação, de saúde.

Aqueles que só enxergam a igualdade de direitos políticos e cívicos sofrem de um escotoma que não resulta de lesão mental reconhecível, mas de uma ocultação em sua visão da sociedade, talvez determinada pela pers­ pectiva do autointeresse. Se a democracia não é votar todos os x anos e mais uns poucos atos esporádicos, mas sim a organização da vida em sociedade de cidadãos diversos, porém interdependentes, que se respeitam e cola­bo­ ram, então não há como não reconhecer que a democracia pressupõe a igualdade de todos os direitos que garantem a dignidade humana.

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