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Medium 9788520431528

I – A Filosofia Continental

Paulo Ghiraldelli Jr. Manole PDF

I

A Filosofia Continental

Para além da noção moderna de sujeito e verdade

A crítica da vida inautêntica: Heidegger

No fim do século XIX, Nietzsche não era lido como filósofo, mas como literato. No decorrer das primeiras décadas do século XX, seus livros ganharam leitores mais competentes e rapidamente se tornaram uma referência obrigatória na filosofia. Alguns leram os livros de Nietzsche e os tomaram como criadores de um novo modo de filosofar, quase uma espécie de nova cosmologia, enquanto outros os tomaram como prenhes da metafísica. Seria uma espécie de último canto da metafísica, mas, ainda assim, metafísica.

Martin Heidegger (1889-1976) viu em Nietzsche um guerreiro contra o platonismo e, portanto, um bom opositor à metafísica tradicional. Para

Heidegger, porém, Nietzsche não teria ultrapassado a metafísica. As noções nietzschianas não ultrapassariam aquilo que seriam as características mais fortes do pensamento moderno. Não que as noções nietzschianas de “vontade de potência” e de “forças”, podendo ser vistas com desconfiança por talvez exalarem algum odor metafísico, fossem os elementos que atrelaram

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Medium 9788530944063

[7 = Mp XVII 3b. Final de 1886 - Primavera de 1887]

NIETZSCHE, Friedrich Wilhelm Grupo Gen PDF

[7 = Mp XVII 3b. Final de 1886 – Primavera de 1887]

(Primeiro livro: “o que é a verdade?”)

(Primeiro capítulo. Psicologia do erro)

7 (1)

Psicologia do erro.

Desde os primórdios, nós estabelecemos o valor de uma ação, de um caráter, de uma existência na intenção, na finalidade em virtude da qual ela foi feita, realizada, vivida: essa idiossincrasia arcaico-originária do gosto toma finalmente uma virada perigosa – supondo justamente que a ausência de intenção e de finalidade do acontecimento ganhe cada vez mais o primeiro plano. Com isso, parece se preparar uma desvalorização geral:

“tudo não possui nenhum sentido” – essa sentença melancólica significa “todo sentido reside na intenção, e, supondo que falte completamente a intenção, então também falta completamente o sentido”. De acordo com aquela avaliação, as pessoas se sentiram obrigadas a transpor o valor da vida para uma “vida depois da morte”; ou para o desenvolvimento progressivo das ideias ou da humanidade ou do povo ou para além do homem; com isso, porém, se chegou ao progresso da finalidade em direção ao infinito, as pessoas finalmente sentiram a necessidade de assumir um lugar no “processo do mundo” (com a perspectiva disdemonista talvez de que se trata do processo em direção ao nada).

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Medium 9788565848619

Capítulo 2 - Partir preferencialmente da vida das pessoas, em vez de ter os programas como ponto de partida

Philippe Perrenoud Grupo A PDF

2

Partir preferencialmente da vida das pessoas, em vez de ter os programas como ponto de partida

As reformas curriculares que visam ao desenvolvimento de competências na escola têm, como ponto de partida, a constatação de uma defasagem entre a vida para a qual a escola pretende preparar e a vida (no trabalho ou fora dele) que as crianças e os adolescentes escolarizados terão, efetivamente, quando se tornarem adultos. Porém, pelo fato dessa defasagem e das suas razões não serem objeto de uma análise precisa, corremos o risco de decidir estabelecer uma “abordagem por competências” de modo precipitado, com base numa conceitualização frágil e numa visão limitada e ingênua, sob vários aspectos, quanto à relação entre a educação escolar e a vida.

Práticas e campos conceituais

A intenção de fazer com que cada noção e cada saber parcial sejam mais “práticos” não deveria acarretar, automaticamente, a sua associação a um uso específico na sociedade. Na realidade, trata-se de uma questão de análise e de escala, para que se possa determinar como os saberes poderão e deverão se tornar ferramentas para a ação humana, no sentido mais amplo desta noção. Como julgar a utilidade e a pertinência prática de um saber? Seria na escala do conteúdo integral de uma disciplina, dos principais temas, dos capítulos ou das noções específicas? Afirmar que a matemática seria

útil na vida das pessoas não é dizer que essa utilidade se estenderia ao teorema

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Medium 9788536325187

Democracia e desordem

Iain Mackenzie Grupo A PDF

Política

113

da teoria democrática, procurando saber especialmente se a democracia é ou não uma forma de organização política que oferece a melhor garantia de uma política ordeira. O lugar para iniciar são os argumentos de Platão contra a democracia, argumentos que se concentram na alegação de que as políticas democráticas não são a melhor forma de república precisamente por terem a tendência de dissolver­‑se na desordem e no caos.

Democracia e desordem

A crítica de Platão à democracia repousa em três argumentos básicos. Em primeiro lugar, argumenta ele que a maioria do povo é um mau juiz do que seja o melhor curso para o barco do Estado (1974: 280­‑92).

A maior parte dos indivíduos, afirma ele, julga à base do impulso, com sentimento de pena, com preconceito pessoal e assim por diante. Mesmo que estejam tentando fazer a coisa certa, as pessoas têm a tendência de permitir que as emoções tomem conta delas no sentido de favorecer algumas pessoas em detrimento de outras. Evocando a analogia da caverna de

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Medium 9788530961930

Primeiro Livro: A VIDA DE NIETZSCHE

JASPERS, Karl Grupo Gen PDF

Primeiro livro

A VIDA DE NIETZSCHE

Visões gerais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Curso de vida exterior – material do mundo. – A imagem de Nietzsche. –

O traço fundamental: o ser uma exceção.

O curso de seu desenvolvimento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

O desenvolvimento da obra. – A autoconcepção nietzschiana de seu caminho. – O terceiro período em particular. – O permanecer igual no desdobramento do todo.

Amigos e solidão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Rohde e Wagner. – O tempo da solidão. – O elemento duradouro nas relações humanas de Nietzsche. – Os limites das possibilidades de amizade de Nietzsche e sua solidão.

Doença . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

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Medium 9788530958978

[30 = Z II 5, 83. Z II 7b. Z II 6b. Outono de 1884 – Início de 1885)

NIETZSCHE, Friedrich Wilhelm Grupo Gen PDF

[30 = Z II 5, 83. Z II 7b. Z II 6b.

Outono de 1884 – Início de 1885]

30 (1)

Que a Europa produza logo um grande estadista e que aqueles que se encontram aí agora, na era mesquinha da miopia plebeia, sendo festejados, se revelem em sua pequenez.

30 (2)

Para a primeira parte: introduzir minha avaliação na lógica, por exemplo, hipótese contra certeza etc.

30 (3)

Onde posso me sentir em casa? Esse é o lugar que há mais tempo procuro, essa busca permaneceu a minha busca constante por uma terra natal.

Para que se apaixonar por línguas feias porque nossas mães as falavam? Por que guardar rancor do vizinho se há tão pouco em mim e nos meus pais para amar!

30 (4)

1. Zaratustra

2. O vidente

3. O primeiro rei

4. O segundo rei

5. O mais feio dos homens

6. O consciencioso

7. O bom europeu

8. O mendigo voluntário

9. O velho papa

10. O terrível mágico

30 (5)

Nem sempre é prejudicial a uma era, quando ela não reconhece o seu grande espírito e não tem olhos para o espantoso

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Medium 9788521610397

24. OBSERVAÇOES HISTÓRICAS SOBRE O CAPITAL COMERCIAL

MARX, Karl Grupo Gen PDF

24. OBSERVAÇOES HISTÓRICAS SOBRE O

CAPITAL COMERCIAL*

No curso da pesquisa científica, a formação da taxa geral de lucro aparece como provinda dos capitais produtivos e de sua concorrência, e como não corrigida, completada e modificada senão mais tarde pela intervenção do capital comercial. No curso da história, ao contrário, a marcha das coisas apresenta-se de forma exatamente inversa.

Conforme o que já se disse, nada seria mais absurdo do que ver no capital comercial, sob uma de suas formas, uma espécie particular do capital industrial, semelhante à agricultura, à criação, às manufaturas, à indústria dos transportes etc. Para escapar dessa concepção grosseira, bastaria recordar-se que todo capital produtivo, pela venda de seus produtos e compra de suas matérias-primas, realiza exatamente as mesmas funções que o capital comercial. O capital comercial não é nada mais que uma parte desligada, e tornada independente, do capital produtivo, parte que reveste constantemente as formas e exerce constantemente as funções necessárias à conversão das mercadorias em dinheiro (e do dinheiro em mercadorias).

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Medium 9788521610397

20. A CIRCULAÇÃO DA MAIS-VALIA

MARX, Karl Grupo Gen PDF

20. A CIRCULAÇÃO DA MAIS-VALIA*

Uma diferença no período de rotação produz uma diferença na taxa anual da mais-valia, mesmo se a massa da mais-valia produzida no ano permanecer constante.

Mas necessariamente se produz uma diferença na capitalização da mais-valia, na acumulação, e em consequência − mantendo-se constante a taxa de mais-valia – na quantidade de maisvalia produzida durante o ano.

Tomemos dois capitalistas que dispõem de capitais variáveis de mesma grandeza (a saber, R$ 10.000,00 por semana). Para uma taxa de mais-valia de 100%, se a rotação dura cinco semanas, A realiza em um ano (de 50 semanas) a mais-valia de

500.000 mv

R$ 500.000,00 – sua taxa anual de mais-valia será de

50.000 v

= 1000%. Outro capitalista, B, com o mesmo capital variável, o mesmo grau de exploração da força de trabalho, a mesma taxa de

100% de mais-valia, mas com uma única rotação para todo o ano,

500.000 mv

= 100%. realizará

500.000 mv

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Medium 9788563899392

Capítulo 1 - Introdução

Hans-Johann Glock Grupo A PDF

1

Introdução

A filosofia analítica tem aproximadamente cem anos de idade, e é agora a força dominante dentro da filosofia ocidental

(Searle, 1996, p. 1­‑2). Ela prevaleceu por diversas décadas no mundo de fala inglesa; está em ascendência nos países germanófonos; e tem feito incursões significativas mesmo em lugares antes considerados hostis, tais como a França. Ao mesmo tempo, existem rumores contínuos sobre a “derrocada” da filosofia analítica, sobre ela estar

“defunta” ou ao menos em “crise”, bem como queixas sobre seus “amplamente percebidos males” (Leiter, 2004a, p. 1, 12;

Biletzki e Matar, 1998, p. xi; Preston, 2004, p. 445­‑447, 463­‑464). Um sentido de crise

é palpável não só entre comentadores, mas também entre alguns dos principais protagonistas. Von Wright notou que, no caminho de se elevar de um movimento revolucionário para o status quo filosófico, a filosofia analítica também se tornou diversificada a ponto de perder seu perfil diferenciador

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Medium 9788536325187

O difícil nascimento da democracia liberal

Iain Mackenzie Grupo A PDF

Política

119

será realista e, mais importante ainda, acaso será desejável? É a participação política necessária para preservar nossa liberdade? A visão de Mill da liberdade que resulta de engajamento ativo na vida política, de fato, está em tensão com sua defesa da liberdade como espaço de não interferência.

Ainda que essas ideias possam, em princípio, ser reconciliadas, é preciso levantar questão sobre onde se devem traçar as linhas divisórias entre o comprometimento de Mill com a privacidade e sua defesa do serviço público. Em termos mais fundamentais ainda, porém, conseguimos nós distinguir entre prazeres superiores e inferiores? Não será simplesmente elitismo da classe média vitoriana supor que ler poesia seja fonte de prazer superior a jogar jogos de salão? Pode ser que Mills esteja confundindo sua preferência pessoal por poesia com uma preferência que todos deveriam compartilhar? Na verdade, se o prazer é assunto de escolha subjetiva, então não haveria razão para presumir que haja prazeres superiores e inferiores. Prosseguindo nessa linha, é difícil enxergar como Mill consegue justificar a participação política da forma que o faz. Muitos outros filósofos políticos, porém, adotaram caminhos diferentes para justificar o governo democrático, e nós podemos degustá­‑los por meio de uma breve história do difícil nascimento das democracias liberais.

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Medium 9788530981679

EDITH STEIN: TEORIA FILOSÓFICA DO ESTADO

MODERNO, João Ricardo Grupo Gen PDF

EDITH STEIN: TEORIA FILOSÓFICA DO

ESTADO

CATOLICISMO: CONVERSÃO ESPIRITUAL E

CONVERSÃO COM BATISMO

Edith Stein, discípula de Edmund Husserl, nascida em 12 de outubro de 1891, na cidade então prussiana de Breslau, filósofa judia, transitou pelo ateísmo, iniciou sua conversão espiritual ao catolicismo após ler o Livro da Vida, de Santa Teresa de Jesus, em finais de 1918, e terminou sua conversão ao catolicismo em 1921, conclusa com o batismo em 1922. Com efeito, em carta de 10 de outubro de 1918 enviada de Freiburg ao colega filósofo polonês Roman Ingarden,

Stein se torna mais explícita: “Não sei se de minhas comunicações anteriores você já deduziu que, atrás da ampla reflexão, mais e mais eu me decidi por um cristianismo positivo. Isso me liberou da vida, que me havia atirado por terra, e, ao mesmo tempo, me deu força para retomar outra vez, agradecida, a vida. Portanto, posso falar, no sentido mais profundo, de um ‘renascimento’.”1

Stein foi assassinada no campo de concentração e extermínio de Auschwitz já como carmelita descalça em 9 de agosto de 1942, pouco antes de completar 51 anos, depois que a Alemanha invade a

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Medium 9788530934699

PARTE TRÊS - 21 - ALÉM DO BEM E DO MAL

YOUNG, Julian Grupo Gen PDF

ALÉM DO BEM E DO MAL

21

O Coração das Trevas

Qual é o objetivo fundamental de Além do Bem e do Mal? Como veremos, o livro fez uma distinção (bem mais extensa em A Genealogia da Moral) entre a moral “escrava” (a moral do bem versus o “mal”) introduzida pelo cristianismo e a antiga moral

“soberana” da Antiguidade (a moral do “bom” versus o “mau”), que o precedeu. E, portanto, o título nos instiga a avançar “além” da moral do “bem e do mal” que conhecemos. É possível que também nos estimule a resgatar alguma versão da moral do “bom e do mau”. Precisamos, diz o título, de uma revolução moral.

O subtítulo, Prelúdio a uma Filosofia do Futuro, transmite a mesma mensagem de uma maneira diferente. Para entendê-la é necessário observar a dupla referência a

Wagner, o compositor que chamou O Ouro do Reno de um “Prelúdio” das obras que compõem o ciclo de O Anel de Nibelungo, e suas óperas de a “arte do futuro”.* Assim como indica que Nietzsche continuava sua luta pelo poder com o antigo “Mestre”, o subtítulo pressupõe que Além do Bem e do Mal é uma apresentação “prévia”, um

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Medium 9788521610397

21. AS CRISES

MARX, Karl Grupo Gen PDF

21. AS CRISES*

Para simplificar a questão, suporemos que a produtividade do trabalho permanece a mesma, que, em consequência, o aumento de capital custa o mesmo trabalho que, no ano precedente, a produção de capital da mesma grandeza. Uma fração da mais-valia deve ser convertida em capital, parte em capital constante, parte em capital variável. E a proporção em que esta fração da maisvalia se reparte entre estes dois elementos do capital depende da composição orgânica** deste. Quanto mais elevado o nível de desenvolvimento da produção, tanto maior a parte da mais-valia que se converteu em capital constante, relativamente àquela que se converteu em capital variável.

Antes de mais nada, pois, uma parte da mais-valia e do sobreproduto em meios de subsistência, correspondendo a esta parte, deve ser convertida em capital variável, isto é, deve servir para adquirir trabalho novo. Isto só é possível se o número de operários aumenta ou se o tempo de trabalho é prolongado. Para que a acumulação seja um processo constante e contínuo, o aumento absoluto da população é uma condição necessária, ainda que esta mesma população diminua relativamente com referência ao capital empregado. O aumento da população aparece, pois, como sendo a base da acumulação enquanto processo constante. Mas isto supõe um salário médio permitindo o aumento permanente da população operária.*** Para as quedas repentinas, a produção capitalista precata-se fatigando uma parte da população operária, enquanto mantém a outra parte, como exército de reserva, em uma miséria parcial ou total.

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Medium 9788536309118

Capítulo 6 - Qualidades do caráter moral

Dwight Furrow Grupo A PDF

6

Ética

141

Qualidades do caráter moral

Os capítulos precedentes deixam algumas questões fundamentais sem resposta. Quais processos cognitivos e emocionais usamos para fazer julgamentos morais confiáveis? O que quer dizer ser guiado por aquilo com que você se importa? Como devemos resolver conflitos entre obrigações, e entre obrigações e outras preocupações morais? Quais são as atividades decorrentes do cuidado? Uma vez que a obrigação constitui somente uma parte da moralidade, quais são as outras considerações específicas que desempenham um papel na reflexão moral?

Respostas a essas questões requererão a apresentação de uma abordagem do que significa ser uma boa pessoa. Essa questão nunca esteve longe de nossa discussão. Mas nós a temos discutido indiretamente, em parte devido ao fato de que grande parte da teoria moral tradicional a trata como uma questão secundária. O utilitarismo e a deontologia focalizam quais ações são certas e quais erradas. Eles definem uma boa pessoa como aquela que realiza ações corretas e evita as erradas, mas dirigem a sua atenção à definição do que seja uma ação correta. No entanto, a ética do cuidado começou a mudar esta discussão, porque ações corretas são definidas como ações que surgem de certos motivos, particularmente daqueles que demonstram cuidado. Assim, na ética do cuidado, a ideia de cuidar de uma pessoa é primordial e da qual se derivam as concepções de ações corretas ou erradas.

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Medium 9788530934699

PARTE TRÊS - 16 - AURORA

YOUNG, Julian Grupo Gen PDF

AURORA

16

Publicado em julho de 1881, Aurora (ou O Amanhecer) foi um livro genovês. Embora

Nietzsche tivesse começado a elaborá-lo há um ano e meio e continuado a escrevê-lo em Veneza e Stresa, o livro foi concluído em Gênova: o autor gostaria de corrigir sua omissão ao material reproduzido e às referências à biografia do já falecido historiador Curtis Cate, Friedrich Nietzsche (Londres: Hutchinson, 2002) como descritas a seguir, “Quase todas as frases foram pensadas, construídas, em meio às rochas próximas a Gênova”.1 Ele foi o último trabalho do período positivista de Nietzsche.

Um Livro para Leitores Lentos

Assim como Humano, demasiado Humano, Aurora destinou-se aos “espíritos livres”, potenciais e reais. Ele direcionou-se a um “grupo de pensadores”, “aventureiros e pássaros migratórios [Wandervögel],2 que contestavam os costumes e convenções da época e, por este motivo, eram denunciados pela corrente do pensamento predominante como “criminosos, livres pensadores e pessoas imorais”, além de “serem estigmatizados [Vogelfreiheit]”.3 Como em Humano, demasiado Humano, Nietzsche referiu-se a um movimento de aprimoramento gradual da ordem social: “Atualmente... aqueles que não se consideram presos às leis e aos costumes existentes estão fazendo as primeiras tentativas de se organizarem e, com isso, de criarem um direito especial, inerente à sua forma de pensar”.4 Ele queria incentivar e orientar esse movimento, mesmo que o colapso da antiga moral resultasse, “em um próximo século perigoso, no qual precisaremos carregar armas”.5 Hoje, observou ele, existem na Europa “talvez 10 a 20 milhões de pessoas que não mais ‘acreditam em Deus’” e, portanto, elas “devem se identificar com um sinal” para tornarem-se um “poder organizado na Europa”.6 Como este argumento inspirou-se na frase in hoc signo vinces

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