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Medium 9788536327549

9. O exame psíquico

De Marco, Mario Alfredo Grupo A PDF

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O exame psíquico

MARIO ALFREDO DE MARCO

EM BUSCA DO PSÍQUICO

O enorme progresso alcançado pelo desenvolvimento tecnológico trouxe mudanças impressionantes para as técnicas diagnósticas. Hoje, é possível acessar o cérebro com técnicas extremamente sofisticadas, delimitando atividades cerebrais e associando-as com vivências e funcionamento mental. Em absoluto contraste, o exame psíquico mudou pouco ao longo da evolução do campo no último século.

Se entendermos a natureza do exame mental, ficarão mais claras as razões para esse aparente descompasso.

Como se examina a psique? Onde a encontramos? No cérebro? Certamente não. Podemos examinar o cérebro em todos os seus níveis – celular, molecular, atômico –, sem nunca chegarmos à psique. Isso, evidentemente, não nega a relação entre ambos. A título de analogia, podemos pensar em um televisor: se examinamos seus componentes internos, em nenhum lugar iremos encontrar as imagens do filme ou do programa que está sendo exibido. A partir do exame de suas peças, podemos fazer inferências sobre o funcionamento do televisor, detectar possíveis defeitos capazes de interferir na qualidade da imagem, mas apenas olhando para a tela é que poderemos visualizar a imagem. O mesmo acontece com a mente, com a diferença de que não temos como “olhar para a tela” do outro. Cada pessoa tem acesso exclusivo a sua própria tela mental, de forma que cada um só pode visualizar, diretamente, a sua própria atividade mental. Podemos ter acesso à tela mental do outro, de maneira indireta, pelo relato e pela comparação com a nossa própria tela. É claro que essa não é a única possibilidade, e sabemos muito bem disso pela nossa experiência cotidiana. Temos mais de uma possibilidade de acesso à atividade mental do outro, detectando aspectos muitas vezes desconhecidos até para a própria pessoa, pois a mente não é uma entidade separada; ela nos habita, está profundamente entranhada em nosso corpo, em nossas expressões, em nossas relações. Portanto, embora não possamos ter acesso direto ao funcionamento mental do outro, podemos acessá-lo por meio do contato com essa pessoa, seu corpo, sua história, suas relações, suas vivências, sua aparência e seu comportamento. O que precisa ficar claro é que não existe corpo, mente e relações como entidades distintas. Dessa forma, no exame psíquico, o que

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Medium 9788527731546

48 - Toque | O Transtorno de um Obsessivo-Compulsivo

PAYÁ, Roberta Grupo Gen PDF

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Toque | O Transtorno de um

Obsessivo-Compulsivo

Amadeu de Oliveira Weinmann

Era uma sexta-feira chuvosa, típica do inverno gaú­cho, e eu devaneava com o fim de semana na serra. Provavelmente, seria recebido com uma sopa de capeletti e um bom vinho, degustado próximo à lareira, em uma conversa tranquila com pessoas queridas. Porém, ainda tinha um

último compromisso profissional, que me reteria no consultório até um pouco mais tarde que o previsto. Havia recebido a ligação de um homem, que solicitava ser atendido com urgência. Seu psiquiatra, conhecido meu, me indicara. Dele, só tinha o registro do tom de voz monocórdio, que me pareceu em total desajuste com a urgência que dizia ter. Seu nome era Fernando.

Fernando chega ao meu consultório pontualmente às 19h, desculpando-se pelo atraso.

Estende a mão – o cotovelo duro, de quem quer manter distância – e pede licença, cerimonioso.

Uma ideia me vem à mente: morte emocional. A expressão facial denota angústia; os olhos, um vazio aterrador; seu olhar esquivo parece perturbado com o contato; uma fina gota de suor desce pelo lado direito da face: “Foi difícil chegar aqui”, me diz. Convido-o a entrar. Senta-se, percorre rapidamente com o olhar o consultório, ajeita-se mais uma vez na poltrona, tosse, muda de posição, arruma o cabelo, a gola da camisa, tosse novamente. Pergunto o que o traz a mim: “Meu médico diz que sofro de transtorno obsessivo-compulsivo, TOC, e que, além da medicação, seria bom eu fazer psicoterapia”.

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Medium 9788536327822

16. IMPACTO DO TABAGISMO NO CÂNCER

Corrêa da Silva, Luiz Carlos Grupo A PDF

ALICE DE MEDEIROS ZELMANOWICZ | JOSÉ S. MOREIRA |

LUIZ CARLOS CORRÊA DA SILVA

Segundo as fontes mais antigas, há registro de o tabaco estar relacionado a danos à saúde há muitos séculos. Todavia, as bases científicas dessa associação começaram a ficar mais consistentes somente a partir da metade do século XX. Hoje, considera-se que a exposição ao tabaco é um dos maiores fatores de risco para o adoecimento e mortes nos seres humanos. As primeiras evidências científicas foram descritas por Auerbach1 com cães, em que os animais, submetidos prolongadamente à inalação de fumaça de cigarros, desenvolviam tumores pulmonares malignos (prova biológica), e pelo grandioso estudo de coorte em que 34 mil médicos britânicos foram acompanhados por Doll, Hill e Peto, a partir de 1951, em que ficou claramente demonstrado que fumar se associava a uma frequência aumentada de câncer de pulmão (prova epidemiológica).2-4

A Agência Internacional de

Pesquisa em Câncer (IARC) da

Organização Mundial da Saúde

(OMS), publica regularmente estudos analisando os possíveis carcinógenos, os cânceres associados e os potenciais mecanismos de ação dessa associação.5

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Medium 9788536324265

6. Mentira

Callegaro, Marco Montarroyos Grupo A PDF

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Mentira

As vantagens de enganar os outros

Esconder nossas verdadeiras intenções e mentir é um comporta­mento muito mais corriqueiro do que imaginamos. Da mesma forma, existem mecanismos de autoengano que filtram, distorcem e escondem informações, privando a mente consciente de acesso aos fatos. A psicanálise descreveu alguns desses mecanismos, mas explicou seu funcionamento com a teoria do inconsciente dinâmico. Investigaremos agora os mecanismos da mentira e do autoengano com uma visão mais ampla, baseada na teoria de evolução e nas neurociências, usando o modelo do novo inconsciente como sistema teórico.

O filósofo e psicólogo evolucionista David L. Smith publicou, em 2004, o livro Why we lie: The evolutionary roots of deception and the unconscious mind, no qual argumenta que tanto a mentira como o autoengano (a mentira para si mesmo) estão profundamente arraigados na mente humana. Como observa

Smith (2006, p. 6), de acordo com o folclore do engano, pessoas comuns, decentes, mentem de forma apenas ocasional e irrelevante, a não ser em circunstâncias extremas, moralmente justificáveis. Qualquer coisa além de uma ocasional mentira ingênua é considerada um sintoma de loucura ou de maldade: a inclinação dos doentes mentais, criminosos, advogados e políticos. Existe o mito de que os bons mentirosos sempre sabem o que estão fazendo: eles são calculistas e têm consciência de seus enganos. As pessoas que mentem sem saber que estão mentindo são consideradas, na melhor das hipóteses, confusas e, na pior, insanas. A psicologia evolutiva opõe­‑se a essa reconfortante mitologia. Mentir não é um ato excepcional – é normal, um ato mais espontâneo e inconsciente do que cínico e friamente analítico. Nossas mentes e nossos corpos segregam engano.

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Medium 9788573074826

11 Os Mandamentos do Superego

Zimerman, David E. Grupo A PDF

FUNDAMENTOS PSICANALÍTICOS

C A P Í T U L O

11

Os Mandamentos do Superego

O termo superego foi introduzido por Freud

(com o nome original, em alemão, de Uber-Ich) e aparece pela primeira vez na literatura psicanalítica no seu clássico trabalho de 1923, O ego e o id, integrando a segunda teoria do aparelho psíquico, ou seja, a teoria estrutural. Nessa publicação, Freud descreve o superego como uma instância psíquica que se separou do ego – encarregou-se das funções de um juiz representante da moral, legislador de leis e proibidor das transgressões dessas leis – e passou à condição de poder dominar ao próprio ego que lhe deu origem, como demonstram os estados de melancolia em que o indivíduo é criticado por uma parte, sua, que emite mandamentos que provêm desde dentro dele próprio.

Antes disso, em 1914, no seu célebre Uma introdução ao narcisismo, Freud empregou a expressão ideal do ego (Ichideal) para designar uma formação intrapsíquica relativamente autônoma, que

é uma substituta do narcisismo perdido do sujeito e que lhe serve de referência para apreciar as realizações de seus próprios ideais. Em 1921, no trabalho Psicologia das massas e análise do ego, Freud voltou a empregar o termo “ideal do ego” como sendo uma formação nitidamente separada do ego, o que lhe permitiu explicar a “submissão dos grupos ao líder” – como pode ser o comandante de uma tropa militar – ou Jesus Cristo para os religiosos, os quais são idealizados coletivamente, e em quem os indivíduos depositam os seus próprios

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Medium 9788527733151

20. Trabalho em Equipe em Ambulatório de Atenção Psicossocial

BAPTISTA, Makilim Nunes; BAPTISTA, Rosana Righetto Dias; BAPTISTA, Adriana Said Daher Grupo Gen PDF

20

Trabalho em Equipe em

Ambulatório de Atenção

Psicossocial

Samira Reschetti Marcon   Roselma Lucchese   

Hugo Gedeon Barros dos Santos   Carla Gabriela Wunsch

Introdução

Este capítulo tem como objetivo apresentar considerações teó­rico-práticas do trabalho em equipe no cuidado à pessoa/família em sofrimento mental em um ambulatório de atenção psicossocial.

O trabalho em equipe na saú­de mental, em especial no modelo de atenção psicossocial, busca atender as necessidades da pessoa em sofrimento, assegurando-lhe atenção digna em sua territorialidade, evitando-se (re)internações hospitalares, e potencializando a sua autonomia e a qualidade de vida. Esses direitos são afiançados pela Lei da Saú­de Mental n. 10.216 (Brasil, 2001), proveniente de transformações sociais, culturais e técnicas para compreender a pessoa que sofre mentalmente e sua família, bem como os meios de redução de agravos e tratamento. Nesse sentido, o

Projeto Terapêutico Singular (PTS) se faz presente como uma metodologia de cuidado sincronizada com a clínica ampliada, com vistas na promoção da qualidade de vida, reinserção social e integralidade do cuidado (Boccardo et al., 2011; Jorge et al., 2015).

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Medium 9788536324548

9. Estabelecimento de Objetivos para Planejar e Avaliar a Reabilitação da Memória

Wilson, Barbara A. Grupo A PDF

CAPÍTULO 9

Estabelecimento de Objetivos para Planejar e Avaliar a

Reabilitação da Memória

O QUE SÃO OBJETIVOS?

O Concise Oxford English Dictionary* (1999, p. 505) define “objetivo” como o “objeto de ambição ou esforço de uma pessoa; um destino; um alvo”**. Ylvisaker e Feeney (2000) sugeriram que “a reabilitação precisa envolver temas, atividades, ambientes e interações pessoalmente significativos”. Wade (1999, p. 2), discutindo especificamente metas de reabilitação, apontou que “um objetivo é um estado ou mudança de estado esperado ou pretendido em uma intervenção ou curso da ação a ser alcançada”. Na prática, para nossos propósitos, um objetivo é algo que o indivíduo a receber, ou participando de reabilitação, quer alcançar e ações subsequentes serão relevantes e significativas para essa pessoa quando refletirem suas metas de longo prazo. Apesar de outras pessoas, podendo ser membros da família ou terapeutas envolvidos no programa de terapia específico, poderem ajudar no alcance de objetivos por seus esforços e apoio, suas “ações” no processo não são vistas como tal.

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Medium 9788536311180

4 - GRAVIDEZ

Assumpção, Francisco B. Grupo A PDF

Psicopatologia evolutiva

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4

GRAVIDEZ

CÉLULAS GERMINATIVAS. ONTOGENIA

As células que darão origem a um novo ser são produzidas nos ovários femininos (óvulos) e nos testículos masculinos (espermatozóides). O processo de fecundação ocorre quando o espermatozóide penetra o óvulo e os núcleos de ambas as células se unem, combinando-se ambas as cargas genéticas a partir das cromátides provenientes de ambos os gametas. Forma-se, então, a célula-ovo ou zigoto.

As células humanas são constituídas de 46 cromossomas, dos quais 2 são cromossomas sexuais (XX na mulher, e XY no homem) e os restantes são autossomas. Durante o processo de formação dos gametas (óvulo e espermatozóide), dá-se uma redução da carga genética a partir de uma redução meiótica, ficando os mesmos com 23 cromátides que carregarão toda a carga cromossômica desse indivíduo.

Com a união dos gametas, retorna-se ao número original de 46 cromossomas, característico da espécie, com a óbvia recombinação dos cromossomas que trazem as características individuais parentais não somente sob o ponto de vista físico, mas também comportamental, e sob o ponto de vista de estruturas básicas, também características da espécie.

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Medium 9788536309101

Capítulo 10. Terapia familiar cognitivo-comportamental

Michael P. Nichols; Richard C. Schwartz Grupo A PDF

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MICHAEL P. NICHOLS

10

Terapia familiar cognitivo-comportamental

Além do estímulo e resposta

Quando começaram a trabalhar com famílias, os terapeutas do comportamento aplicaram a teoria da aprendizagem para treinar pais em modificação comportamental e para ensinar habilidades de comunicação a casais.

Essas abordagens revelaram-se efetivas para problemas comportamentais distintos e indivíduos bem-motivados. Entretanto, ancorados como estavam na psicologia individual, os terapeutas do comportamento não percebiam bem como os procedimentos inadequados e a má comunicação estavam inseridos no sistema familiar.

Os comportamentalistas, de modo geral, trabalhavam em ambientes acadêmicos e, apesar de terem desenvolvido um armamento completo de técnicas úteis, continuaram relativamente isolados da corrente principal da terapia familiar. Nos últimos 10 anos, entretanto, ocorreram grandes mudanças na terapia familiar comportamental, com uma crescente sofisticação em relação à dinâmica familiar e a incorporação de princípios cognitivos.

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Medium 9788536325736

Capítulo 38 - Contribuições da terapia cognitivo-comportamental em grupo para pessoas com dor crônica

Bernard Rangé; Colaboradores Grupo A PDF

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Contribuições da terapia cognitivo-comportamental em grupo para pessoas com dor crônica

Martha M. C. Castro

A dor é uma das sensações mais temidas pela maior parte das pessoas. É também um importante sinal de alerta de que algo não vai bem no sistema fisiológico, que desencadeia na maioria dos indivíduos respostas aversivas e estressantes ao se defrontarem com ela.

A International Association for the

Study of Pain (IASP) define a dor como “[...] experiência desagradável associada a dano real ou potencial, ou descrita em termos de tal dano.” (Pain, 1986) A dor pode ser classificada em aguda e crônica. Enquanto a dor aguda é um sintoma de alerta e está relacionada a afecções traumáticas, infecciosas ou inflamatórias, sendo bem definida e transitória, a dor crônica é caracterizada como aquela que persiste além do tempo necessário para a cura da lesão, num processo de longa duração e limites mal definidos, sendo, desse modo, importante causa de incapacitação humana (Ferreira, 2001).

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Medium 9788573074826

6 A Formação da Personalidade

Zimerman, David E. Grupo A PDF

C A P Í T U L O

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A Formação da

Personalidade

São tantos e tão diversificados os fatores que estão em permanente interação e influência na formação da personalidade que talvez fosse mais adequado nomear este capítulo de construção da personalidade. Isso justifica-se porque a evolução da psicossexualidade não se processa de uma forma linear, obedecendo a uma prévia programação de natureza genética, mas sim ela deve ser construída, durante um longo tempo, levando em conta os fatores constitucionais inatos da criança e os que serão adquiridos pela influência do meio ambiente exterior, principalmente a influência dos pais.

Assim, continua válida a clássica “equação etiológica” (ou “série complementar”) formulada por Freud (1916), pela qual ele postula que são três os fatores formadores da personalidade da criança: 1) Os heredo-constitucionais (anlage). 2) As antigas experiências emocionais com os pais. 3)

As experiências traumáticas da realidade da vida adulta. Na atualidade, os autores costumam reduzir esta equação a um simples assinalamento de que há uma permanente interação entre nature (fatores biológicos) e nurture (fatores ambientais).

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Medium 9788573074826

20 Psicoses

Zimerman, David E. Grupo A PDF

C A P Í T U L O

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Psicoses

A complexidade semântica do termo “psicose” pode levar a confusões na comunicação científica entre os psicanalistas sempre que estiver em discussão os critérios quanto à analisabilidade, ao prognóstico clínico e à apreciação casuística de trabalhos publicados acerca da análise de psicóticos.

Assim, na literatura psicanalítica pode-se perceber que a avaliação da eficácia analítica com os pacientes psicóticos varia em função do critério diagnóstico adotado pelos investigadores: nos Estados Unidos, a distinção entre esquizofrenias processuais e psicoses esquizofrenóides costuma ser algo frouxa e, daí, as estatísticas são mais otimistas, sendo que o contrário ocorre nos trabalhos europeus. E no Brasil? Creio que recém estamos dando os primeiros passos em direção a uma autonomia de pensamento e práxis; isto é, libertando-nos da condição de meros importadores e imitadores, sem recair no extremo oposto de romper ou menosprezar as inestimáveis contribuições vindas de consagrados autores de todas as partes do mundo.

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Medium 9788582711811

Capítulo 10 | Linguagem

Antonio de Pádua Serafim; Fabiana Saffi Grupo A PDF

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Linguagem

FABIANA SAFFI

MARIA INÊS FALCÃO

A avaliação neuropsicológica caracteriza-se pela investigação do funcionamento cognitivo e de sua relação com o comportamento humano, abrangendo as áreas da linguagem, atenção, funções executivas, praxia construtiva, memória, entre outras.

Considera dados demográficos, como idade e gênero, e aspectos biológicos, psicossociais e de desenvolvimento, permitindo a compreen­são do funcionamento neuropsi­ cológico global do sujeito (Lezak, 1999); ou seja, para se compreender a cognição do indivíduo, é necessário considerar sua história e como ele se relaciona com o meio

(Chaves, 2013).

DEFINIÇÃO

Segundo o neuropsicólogo soviético Alexander Romanovich Luria (Luria, 1981), a linguagem é uma função psicológica bastante complexa que incorpora diversos elementos, sendo uma “forma especial de comunicação social”, um “instrumento para a atividade intelectual” e um “método para regular ou organizar processos mentais humanos”. O autor ainda enfatiza que a linguagem torna o homem capaz de analisar e generalizar informações recebidas para tomar decisões e efetuar conclusões, o que a torna um “. . . método para regular

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Medium 9788536326498

14. Violência na escola: reflexão sobre as causas e propostas de ações preventivas e focais

Habigzang, Luísa F Grupo A PDF

14

Violência na escola

reflexão sobre as causas e propostas de ações preventivas e focais

Carolina Lisboa e Guilherme Ebert

A afirmação de que a escola é um microssistema de fundamental importância na vida dos indivíduos é quase um senso comum. Infelizmente, notícias atestando que essa instituição não está cumprindo sua função pedagógica e protetiva também são frequentes atualmente. Em escolas públicas, reclama-se de um ensino de baixa qualidade, os professores se mostram insatisfeitos e se sentem desvalorizados. Em escolas particulares, o paradigma de ensino se confunde com a lógica capitalista e consumista, oferecendo-se o processo dinâmico de ensino-aprendizagem como um produto, passível de compra e de reclamações. Essas afirmações não podem ser generalizadas, mas servem como pontos para reflexão e discussão. Além de tudo isso, a crescente violência observada dentro e no entorno das escolas brasileiras não discrimina as instituições públicas ou privadas.

É na escola que jovens se inserem socialmente e desenvolvem sua autoconfiança, relações e cognições sociais a partir de trocas afetivas e modelos de comportamento

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Medium 9788536311210

4 - Comprometimento organizacional

Siqueira, Mirlene Maria Matias Grupo A PDF

Medidas do comportamento organizacional

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4

Comprometimento organizacional

Antonio Virgílio Bittencourt Bastos

Mirlene Maria Matias Siqueira

Carlos Alberto Freire Medeiros

Igor Gomes Menezes

Os estudos sobre comprometimento no trabalho, especialmente o comprometimento organizacional, embora com raízes bem mais antigas, têm um intenso crescimento a partir do final da década de 1970, tornando-se, ao longo das décadas seguintes, um dos construtos mais intensamente investigados em Comportamento Organizacional.

Não diferindo de inúmeros outros domínios das ciências sociais e, em particular, de outras tradições de estudos em Comportamento Organizacional, a pesquisa sobre comprometimento no trabalho é marcada pela diversidade de definições e modelos teóricos de referência que conduzem a uma proliferação de instrumentos de medida, resultando em fragmentação e redundância conceitual. Marco importante da consciência deste quadro é o trabalho de

Morrow (1983) que, já naquele momento, identificara 29 conceitos e medidas relacionadas a comprometimento. A autora organiza tal diversidade fixando cinco grandes “focos” de comprometimento, a saber: valores, organização, carreira, trabalho e sindicato, nos quais ela agrupa construtos e propostas de escalas para mensurá-los. Estamos, aqui, diante de uma das fontes de diversificação da pesquisa sobre comprometimento – há múltiplos focos ou partes do contexto que podem ser alvo do vínculo do indivíduo, dentro e fora do ambiente de trabalho. Em recente trabalho de metanálise, Cooper-Hakim e

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