24 capítulos
  Título Autor Editora Formato Comprar item avulso Adicionar à Pasta
Medium 9788580551907

Capítulo 11 - Etnicidade e raça

Conrad Phillip Kottak Grupo A PDF

11

ETNICIDADE E RAÇA

Etnias e etnicidade

A mudança de status

Diversidade biológica humana e o conceito de raça

Explicando a cor da pele

Raça e etnia

A construção social da raça

Hipodescendência: raça nos

Estados Unidos

Raça no censo

“Não nós”: raça no Japão

Fenótipo e fluidez: raça no Brasil

Grupos étnicos, nações e nacionalidades

Nacionalidades e comunidades imaginadas

Tolerância étnica e acomodação

Assimilação

A sociedade plural

Multiculturalismo e identidade étnica

Aplicando a antropologia à cultura popular: diversidade na TV

As raízes do conflito étnico

Preconceito e discriminação

Os cacos no mosaico

Consequências da opressão

Antropologia hoje: de Embalos de sábado à noite a Jersey Shore

A etnia se baseia em semelhanças e diferenças culturais em uma sociedade ou nação. As semelhanças são com os membros do mesmo grupo étnico; as diferenças se dão entre o grupo e outros. Os grupos ét-

Ver todos os capítulos
Medium 9788536310824

Capítulo 2 - FORMADORES DO CAMPO TEÓRICO

Dalgalarrondo, Paulo Grupo A PDF

Religião, psicopatologia e saúde mental

29

2

FORMADORES DO

CAMPO TEÓRICO

Quem morre vai descansar na paz de Deus.

Quem vive é arrastado pela guerra de Deus.

Deus é assim: cruel, misericordioso, duplo.

Seus prêmios chegam tarde, em forma imperceptível.

Deus, como entendê-lo?

Ele também não entende suas criaturas,

Condenadas previamente sem apelação a sofrimento e morte.

Carlos Drummond de Andrade,

“Deus e suas criaturas” (In: Corpo)

OLHANDO PARA A SOCIEDADE E PARA A CULTURA

Em um passado longínquo

Nas várias sociedades humanas, a visão dominante sobre a religião e suas conseqüências para a vida dos homens tendeu, ao longo da história, a ser aquela adotada pelas hierarquias, sejam elas religiosas, políticas ou sociais. As versões oficiais e dominantes tenderam a ser quase sempre apologéticas. Os sacerdotes, teólogos e pensadores afirmam os dogmas, a certeza da existência e centralidade dos deuses e suas leis inexoráveis; a salvação e a felicidade (sejam elas terrenas ou celestiais) só sendo possíveis pela adoção das crenças e pela obediência às leis. Em particular, nas tradições cristã, islâmica e judaica, desde o final da Antigüidade, vários pensadores sutis e profundos, como Santo Agostinho, Anselmo, Abelardo,

Ver todos os capítulos
Medium 9788580551907

Capítulo 1 - O que é antropologia?

Conrad Phillip Kottak Grupo A PDF

1

O QUE É ANTROPOLOGIA?

Adaptabilidade humana

Adaptação, variação e mudança

Antropologia geral

As forças culturais formam a biologia humana

As subdisciplinas da antropologia

Antropologia cultural

Antropologia arqueológica

“É apenas natureza humana.” “As pessoas são praticamente as mesmas em todo o mundo.” Esse tipo de opinião, que ouvimos em conversas, nos meios de comunicação de massa e em muitas cenas na vida cotidiana, promove a ideia equivocada de que as pessoas de outros países têm os mesmos desejos, sentimentos, valores e aspirações que nós. Essas afirmações proclamam que, como são em essência as mesmas, as pessoas estão ávidas por receber ideias, crenças, valores, instituições, práticas e produtos de uma cultura norte-americana que se dissemina em todas as partes do globo terrestre.

Muitas vezes, esse pressuposto acaba se revelando equivocado.

A antropologia oferece uma visão mais ampla – uma perspectiva comparativa diferenciada e intercultural. A maioria das pessoas pensa que os antropólogos estudam as sociedades não industriais, e eles o fazem.

Ver todos os capítulos
Medium 9788580551907

Capítulo 6 - Sistemas políticos

Conrad Phillip Kottak Grupo A PDF

6

SISTEMAS POLÍTICOS

O que é “o político”?

Tipos e tendências

Bandos e tribos

Bandos de forrageio

Cultivadores tribais

O chefe de aldeia

Os “grandes homens”

Aplicando a antropologia à cultura popular: super-heróis

Irmandades pantribais

Política nômade

Chefias

Sistemas políticos e econômicos

Sistemas de status

O surgimento da estratificação

Os antropólogos têm em comum com os cientistas políticos o interesse em organização e sistemas políticos, mas, nesse caso, mais uma vez, a abordagem antropológica é global e comparativa e inclui os não Estados,* enquanto os cientistas políticos tendem a trabalhar com Estados-nação contemporâneos e recentes. Estudos antropológicos têm revelado uma variação substancial em poder, autoridade e sistemas jurídicos em diferentes sociedades. (O poder é a capacidade de exercer a própria vontade sobre a dos outros; autoridade é o uso formal, socialmente aprovado, do poder, por exemplo, por funcionários do governo.) (Ver Gledhill, 2000; Kurtz,

Ver todos os capítulos
Medium 9788536310824

Capítulo 10 - RELIGIÃO COMO SISTEMA PRIVILEGIADO DE CONSTITUIÇÃO DE SENTIDO E RESSIGNIFICAÇÃO DO SOFRIMENTO

Dalgalarrondo, Paulo Grupo A PDF

247

10

Religião, psicopatologia e saúde mental

RELIGIÃO COMO SISTEMA

PRIVILEGIADO DE CONSTITUIÇÃO

DE SENTIDO E RESSIGNIFICAÇÃO

DO SOFRIMENTO

Aprendemos com uma longa tradição155 retomada para a modernidade por autores como Schleiermacher, Weber, Ricoeur e Gadamer,156 e desenvolvida para os fenômenos religiosos por contemporâneos como Geertz (e, em certa medida, Berger), que a religião se inscreve no longo e interminável capítulo da história humana de dar sentido à existência bruta, de tornar o texto da vida pelo menos legível e passível de tradução para a experiência cotidiana. Entre nós, Carlos Rodrigues Brandão fala, nessa linha, de “sistemas religiosos de sentido” como referência a este universo multiforme e cada vez mais plural que é a religiosidade no Brasil.

Assim, de diferentes formas, a tradição hermenêutica tem influenciado bastante o horizonte teórico no qual se busca compreender a experiência religiosa. A hermenêutica, no sentido tradicional, referia-se à arte da tradução e da interpretação de textos (sagrados primeiro, profanos depois) de outra língua, de outro contexto histórico-social (ou de um corpus geral para situações específicas, como no caso da hermenêutica jurídica), trazendo-os à luz, à compreensão. Para a hermenêutica tradicional colocou-se a questão da tradução, e traduzir um texto exige a

Ver todos os capítulos
Medium 9788536310824

Capítulo 6 - PESQUISAS EPIDEMIOLÓGICAS EM SAÚDE FÍSICA E MENTAL E RELIGI ÃO

Dalgalarrondo, Paulo Grupo A PDF

Religião, psicopatologia e saúde mental

177

6

PESQUISAS EPIDEMIOLÓGICAS

EM SAÚDE FÍSICA

E MENTAL E RELIGIÃO

SAÚDE FÍSICA E RELIGIÃO

A relação entre saúde física e religião tem sido estudada de forma sistemática desde o início do século XX (Levin; Larsen, 1997). Um volume consistente de pesquisas, segundo Jeffrey Levin e Harold Vanderpool (1987) tornou evidente uma crescente área de investigação; eles propuseram, então, denominá-la “epidemiologia da religião”. Nas últimas três décadas, Jeffrey Levin tem se tornado o principal expoente desse campo, publicando não só estudos empíricos com dados originais, mas também análises críticas em relação ao uso do constructo religião em epidemiologia, sobretudo no periódico Social Science and Medicine, caracterizado pelo rigor e pela abertura crítica.

Em 1987, Levin e Schiller revisaram mais de 200 estudos que envolviam a relação entre dimensões da religião e a saúde em geral, estudos esses que apareceram na literatura médica no século XX. Depois disso, muitas outras revisões foram publicadas sobre as relações entre religião e taxas de mortalidade e morbidade específicas. De modo geral, tem-se encontrado associações estatísticas significativas entre maior envolvimento e crenças religiosas e menor freqüência de condições como doença cardiovascular, hipertensão, doença cerebrovascular, câncer e doenças gastrintestinais, assim como associações com indicadores gerais do estado de saúde (boa saúde auto-relatada, sintomas gerais, disfunções e incapacidades, longevidade, etc.).

Ver todos os capítulos
Medium 9788536310824

Capítulo 4 - RELIGIÃO E RELIGIOSIDADE NO BRASIL

Dalgalarrondo, Paulo Grupo A PDF

4

RELIGIÃO E

RELIGIOSIDADE NO BRASIL

E se Deus é canhoto

E criou com a mão esquerda?

Isso explica, talvez, as coisas deste mundo.

Carlos Drummond de Andrade,

Hipótese (In: Corpo)

AS MATRIZES RELIGIOSAS BRASILEIRAS

Tanto historiadores, como Alphonse Dupront (1978), e antropólogos, como

Marshall Sahlins (1990), concordam que a religião, seu ethos e visão de mundo tendem a estabelecer linhas de acentuda permanência histórica. Dupront (1978) argumenta que a experiência religiosa tem, na linha do tempo, no longo prazo, uma grande estabilidade nas visões de mundo que configura. Para Sahlins (1990), a religião dos povos situa-se nas “estruturas históricas de longa duração”. Assim, observar a constituição do campo religioso brasileiro em sua historicidade possivelmente permita algum insight de como ele se configura nos dias atuais.

Desde seu início, com a descoberta pelos portugueses, até cinco décadas atrás, o Brasil se identificou como um país praticamente de exclusividade católica. Pierucci

(2005) lembra bem que o ato fundador dessa nação foi uma mitificada “primeira missa” celebrada pelo franciscano frei Henrique de Coimbra, em Porto Seguro, no dia 26 de abril de 1500.

Ver todos os capítulos
Medium 9788536310824

Capítulo 11 - CONCLUSÕES

Dalgalarrondo, Paulo Grupo A PDF

11

CONCLUSÕES

Esforcei-me, ao longo desses anos de pesquisa, para compatibilizar duas perspectivas difíceis, talvez impossíveis de serem compatibilizadas: a pesquisa médica e epidemiológica e as dimensões da vida religiosa e do sofrimento pessoal. À pergunta: “afinal, a religião faz bem ou faz mal à saúde mental”?, eu tratei de buscar respostas, mesmo sabendo que talvez seja uma pergunta imperfeita, ou malformulada, pois envolve consideráveis simplificações.

Apesar das ressalvas a tais dificuldades metodológicas, a religião, na maior parte das vezes, parece fazer bem à saúde. Parece dificultar que as pessoas se tornem problematicamente envolvidas ou dependentes de bebidas alcoólicas e outras substâncias, assim como parece oferecer um alento a quem sofre de dolorosas experiências depressivas, ansiosas ou mesmo psicóticas. Uma semana após eu ter falado algo nessa linha em um recente programa de televisão, um paciente meu me retrucou: “O senhor falou bonito na TV, doutor Paulo, gostei. Mas isso tudo que o senhor disse não é certo para mim. Para mim, a religião fez um mal terrível...” (a seguir tentou me explicar por que a religião lhe fez muito mal). De outros pacientes, sobretudo de familiares, não tem sido incomum ouvir “[...] Doutor, quando ela começa a falar muito de religião é aí então que eu sei que a coisa vai desandar”.

Ver todos os capítulos
Medium 9788580551907

Capítulo 10 - O sistema-mundo e o colonialismo

Conrad Phillip Kottak Grupo A PDF

10

O SISTEMA-MUNDO

E O COLONIALISMO

O sistema-mundo

O surgimento do sistema-mundo

Industrialização

Causas da Revolução Industrial

Efeitos socioeconômicos da industrialização

Estratificação industrial

Colonialismo

Colonialismo britânico

Colonialismo francês

Colonialismo e identidade

Estudos pós-coloniais

Embora o trabalho de campo em pequenas comunidades tenha sido a marca registrada da antropologia, é impossível encontrar grupos isolados hoje. É provável que nunca tenham existido sociedades verdadeiramente isoladas. Por milhares de anos, os grupos humanos têm estado em contato uns com os outros. As sociedades locais sempre participaram de um sistema maior, que hoje tem dimensões globais – que chamamos de sistema-mundo moderno, ou seja, um mundo no qual as nações são econômica e politicamente interdependentes.

O SISTEMA-MUNDO

O sistema-mundo e as relações entre os países que o compõem são moldados pela

Ver todos os capítulos
Medium 9788580551907

Capítulo 4 - Linguagem e comunicação

Conrad Phillip Kottak Grupo A PDF

4

LÍNGUA E COMUNICAÇÃO

Língua

Comunicação de primatas não humanos

Sistemas de chamamento

Língua de sinais

A origem da língua

Comunicação não verbal

Aplicando a antropologia à cultura popular: Facebook e

Twitter

A estrutura da língua

Sons da fala

Os norte-americanos têm certos estereótipos sobre como falam as pessoas de diversas regiões. Alguns desses estereótipos, difundidos pelos meios de comunicação de massa, são mais generalizados do que outros. A maioria das pessoas acha que sabe imitar o

“sotaque sulista” dos Estados Unidos. Estereotipam a fala de Nova York (a pronúncia de coffee, p. ex.), de Boston (“I pahked the kah in Hahvahd Yahd”) e do Canadá (“oot” para “out”).

Às vezes se pensa que o Meio-Oeste dos Estados Unidos não tem sotaque. Essa crença vem do fato de que os dialetos dessa região não têm muitas variantes linguísticas estigmatizadas – padrões de fala que as pessoas em outras regiões reconhecem e menosprezam, como não pronunciar o ‘r’ e dizer ‘d’ em lugar de ‘th’, como em dem, dese e dere (em vez de them, these e there).

Ver todos os capítulos
Medium 9788580551907

Capítulo 5 - Ganhando a vida

Conrad Phillip Kottak Grupo A PDF

5

GANHANDO A VIDA

Estratégias adaptativas

Forrageio

Estratégias adaptativas baseadas na produção de alimentos

Horticultura

Agricultura

A intensificação agrícola: homem e meio ambiente

Pastoreio

Sistemas econômicos

A produção nas sociedades não industriais

Meios de produção

No mundo globalizado de hoje, as comunidades e as sociedades estão sendo incorporadas, em ritmo acelerado, a sistemas maiores. A origem (cerca de 10 mil anos atrás) e a difusão da produção de alimentos (cultivo de plantas e domesticação animal) levaram

à formação de sistemas sociais e políticos maiores e mais poderosos. A produção de alimentos gerou mudanças importantes na vida humana. O ritmo da transformação cultural aumentou muito. Este capítulo oferece um quadro para a compreensão de várias estratégias adaptativas humanas e sistemas econômicos.

ESTRATÉGIAS ADAPTATIVAS

O antropólogo Yehudi Cohen (1974) usou a expressão estratégia adaptativa para descre-

Ver todos os capítulos
Medium 9788580551907

Capítulo 7 - Famílias, parentesco e casamento

Conrad Phillip Kottak Grupo A PDF

7

FAMÍLIAS, PARENTESCO E CASAMENTO

Famílias

Famílias nucleares e extensivas

Industrialismo e organização familiar

Alterações no parentesco norte-americano

Aplicando a antropologia à cultura popular: famílias televisivas

A família entre os forrageiros

Descendência

Grupos de descendência

Linhagens, clãs e regras de residência

Casamento

Exogamia e incesto

O incesto é uma realidade

Endogamia

Direitos conjugais e o casamento entre pessoas do mesmo sexo

O casamento em diferentes culturas

Dote e preço ou riqueza da noiva

Alianças duradouras

Divórcio

Casamentos plurais

Poliginia

Poliandria

Antropologia hoje: cinco esposas e

55 filhos

Embora ainda seja uma espécie de ideal em nossa cultura, a família nuclear (pais e filhos) responde atualmente por menos de um quarto de todos os lares nos Estados

Unidos. Expressões tradicionais no país, como “amor e casamento”, “casamento e família” e “mamãe e papai”, já não se aplicam à maioria dos lares norte-americanos.

Ver todos os capítulos
Medium 9788580551907

Capítulo 2 - Cultura

Conrad Phillip Kottak Grupo A PDF

2

CULTURA

O que é cultura?

A cultura é aprendida

A cultura é simbólica

A cultura é compartilhada

Cultura e natureza

A cultura é abrangente

A cultura é integrada

Aplicando a antropologia à cultura popular: canções populares

A cultura é instrumental, adaptativa e mal-adaptiva

A base evolutiva da cultura

O que compartilhamos com outros primatas

Como nos diferenciamos dos outros primatas

No Capítulo 1, vimos que os seres humanos compartilham a sociedade, ou seja, a vida organizada em grupos, com outros animais

– animais sociais, como macacos, lobos e formigas. Os outros animais, sobretudo os grandes símios, têm habilidades culturais rudimentares, mas somente os seres humanos têm culturas completamente elaboradas – tradições e costumes específicos transmitidos pela aprendizagem e pela linguagem ao longo de gerações.

O conceito de cultura foi fundamental para a antropologia. Mais de um século atrás, em seu livro Primitive Culture, o antropólogo britânico Edward Tylor argumentou que as culturas, sistemas humanos

Ver todos os capítulos
Medium 9788580551907

Capítulo 9 - Religião

Conrad Phillip Kottak Grupo A PDF

9

RELIGIÃO

Expressões da religião

Seres espirituais

Poderes e forças

Magia e religião

Incerteza, ansiedade, conforto

Rituais

Ritos de passagem

Totemismo

Controle social

Tipos de religião

Religiões mundiais

Dada a dimensão variada e mundial de crenças e comportamentos rotulados como

“religiosos”, os antropólogos sabem como é difícil definir religião. Em seu livro Religion: An Anthropological View, Anthony F.

C. Wallace ofereceu a seguinte definição:

“crença e ritual relacionados a seres, poderes e forças sobrenaturais” (1966, p. 5). Com a palavra “sobrenatural”, ele queria dizer um reino imaterial, além do mundo observável (mas que o influencia). Essa esfera não pode ser empiricamente verificada nem refutada e é inexplicável em termos normais. Deve ser aceita “com base na fé”. Os seres sobrenaturais – deidades, fantasmas, demônios, almas e espíritos – fazem suas casas fora do nosso mundo material, embora possam visitá-lo de vez em quando. Também há forças sobrenaturais ou sagradas, algumas das quais exercidas por deidades e espíritos e outras que simplesmente existem. Em muitas sociedades, as pessoas acre-

Ver todos os capítulos
Medium 9788536310824

Capítulo 5 - PSICOPATOLOGIA E RELIGIÃO

Dalgalarrondo, Paulo Grupo A PDF

Religião, psicopatologia e saúde mental

141

5

PSICOPATOLOGIA E RELIGIÃO

LOUCURA E RELIGIÃO: UMA ANTIGA E ÍNTIMA RELAÇÃO

Hem? Hem? O que mais penso, testo e explico: todo-o-mundo é louco. O senhor, eu, nós, as pessoas todas. Por isso é que se carece principalmente de religião: para se desendoidecer, desdoidar. Reza é que sara da loucura. No geral. Isso é que é a salvação-da-alma...

Guimarães Rosa, Grande sertão: veredas.

Ackerknecht (1985) afirma, em sua breve história da psiquiatria, que a noção de transtorno, doença mental ou “loucura” que o Ocidente hoje admite difere muito das noções dos povos indígenas, seja da atualidade ou do passado remoto. Nesses povos, quase todas as doenças e, sobretudo, as formas de alteração mental e comportamental que designamos “transtorno mental grave” são concebidas como produtos de forças sobrenaturais: maus espíritos, deuses, roubos espirituais, possessões, obra de bruxas ou de feiticeiros. Descontada a grande variação em termos do que se considera “anormal” entre povos não-ocidentais, quando a “loucura” ocorre e é reconhecida nesses povos, quase sempre são acionadas percepções e representações que a localizam no âmbito do sagrado, do demoníaco, da possessão, enfim, ela ganha uma acepção plenamente religiosa.

Ver todos os capítulos

Carregar mais